[dropcap1]A[/dropcap1] porta do carro fechou, a aba do Google Chrome também, você desligou a ligação primeiro, virou a esquina, nadou para o outro lado, entrou no salão de embarque, subiu no ônibus, comeu o último chocolate da caixa que recebeu pelos correios, pediu a conta do café, leu a derradeira página do livro, sentiu o fim do perfume, se desdobrou em 7, se sentiu animado, voltou pra casa, entendeu o final de Matrix, entregou os pontos na academia, terminou o lado B do vinil, viu todas as reservas de filmes das férias, dormiu até já não ter mais sono

e percebeu,
que ao acordar, sentiu saudade

de quem desceu do carro, ficou na outra aba do Chrome, ouviu você desligar a ligação, ficou na esquina anterior, nadou para o outro lado, ficou no aeroporto, não subiu no ônibus, enviou uma caixa de chocolates, tomou um espresso, te deu um livro de presente, continua usando o mesmo perfume, te pediu um favor e deu motivos pra sorrir, ficou em casa, perguntou sobre o final de Matrix, mandou uma foto dando o sangue na esteira, te dedicou uma canção daquele disco e viu com você alguns filmes, fez cafuné até te ver adormecer, também acordou e não viu você.

E sentiu saudade.

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ricardo
Ricardo Oliveira
é jornalista, mestre em comunicação, nerd, blogueiro no Diversitá e megalomaníaco por produção de conteúdo. Faz parte dos projetos musicais Mais Que Apenas Som e Message in a Bottle, tenta filmar seu primeiro curta de ficção e nas “horas vagas” edita o *catavento.

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