Porque tudo que é vivo, morre”. Frase do clássico personagem de Ariano Suassuna, Chicó, marca o momento de sua morte. O escritor, dramaturgo e poeta não resistiu às complicações de um AVC nesta quarta-feira (23) e morreu no Recife no fim da tarde. Católico convicto, Ariano colocou sua fé, suas dúvidas e suas reflexões em sua obra e em suas famosas aulas-espetáculo.

Sua principal obra, “O Auto da Compadecida” ganhou adaptação televisiva e para os cinemas nas mãos do cineasta Guel Arraes. Paraibano, Ariano morava no Recife há décadas. Apesar do respeito à terra natal, sempre demonstrou dificuldade com o nome dado à capital paraibana, João Pessoa, por envolver questões políticas que passam pela história de sua família.

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“Converso muito com Deus, todos os dias. E entra muito assunto, muitos pedidos. Vergonhosamente, acho que tem mais pedido que agradecimento. Quando acho que estou incomodando muito, recorro a medianeira de todas as graças, que me acompanha a todo momento e para todo o lugar que vou, levo” – entrevista ao Correio Braziliense, em março de 2014

Com humor e destreza literária ímpar, Ariano nos trouxe personagens marcantes e aquele final apoteótico de “Auto da Compadecida”, com um julgamento marcado tanto pela fé, quanto pela crítica ao catolicismo.

Essa mistura de dúvida, fé e críticas permeou as falas de Ariano e um dos vídeos disponíveis na Internet traz uma de suas falas onde diz o que perguntaria pra Deus se o encontrasse:

Deixou também sua marca criticando o evolucionismo darwinista:

Ariano vai, sua genialidade fica. O texto termina, com a versão completa da citação que o iniciou:

“Cumpriu sua sentença. Encontrou-se com o único mal irremediável, aquilo que é a marca do nosso estranho destino sobre a terra, aquele fato sem explicação que iguala tudo o que é vivo num só rebanho de condenados, porque tudo o que é vivo, morre” – d’O Auto da Compadecida.

Créditos das fotos (via Flickr)
Foto de capa: Rosilda Cruz/Secretaria de Cultura da Bahia
Foto interna: Élcio Paraíso / divulgação Teia 2007