arrais3A partir do momento em que os primeiros segundos de As Paisagens Conhecidas (Sony Music Gospel, digital, R$ 25) começar a tocar em seu player, é certo que você vai respirar fundo. E essa respiração vai seguir em um compasso calmo. O objetivo aqui é encher o peito de ar, porque a poesia encontrada nas letras do novo EP de Os Arrais evidencia um interesse em reencontrar caminhos mais esperançosos – ainda que, por algum momento, tomados pelo furor tempestuoso da vida.

Não é novidade que a dor e a melancolia fazem parte do nascedouro de várias das melhores canções da dupla. E se o que havia de melhor nas letras do disco Mais era justamente a capacidade lírica e narrativa, As Paisagens Conhecidas é completamente tomado desse sentimento.

Cada nota e letra conta histórias, mas faz isso absorvendo o que há de mais belo na música: quanto mais eu canto sentimentos e impressões sobre a minha narrativa, mais eu sou universal. Assim, se lá estão as dores dos compositores, também está a expressão da sua alma em resiliência que busca esperança na fé. “Caneta e Papel” é o ápice desse momento, cheia de uma intimidade que nos aproxima e permite a identificação imediata:

“…Meu bem não esqueça caneta e papel
Pra por em palavras o que iremos ver
Na rota diante de nós
Descrita por nossas mãos
Que mapas não podem dizer
Com traços, com pontos e vãos
Tempestades certamente irão nos alcançar
Longe no alto mar, sem uma estrela a nos guiar
Mas calmaria virá com águas tranquilas em mãos
Na luz que dá nome a manhã
Mais perto estaremos do lar
Meu bem, me dê a sua mão
Ao entrarmos juntos na embarcação…”

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A dupla Tiago e André Arrais – os navegadores que respiram fundo em “As Paisagens Conhecidas”

No português, um “arrais” é um navegador, que cuida de uma embarcação. A temática da viagem em alto mar toma vários momentos do disco. E se a preocupação de um navegador também é com o clima, também estão lá as tempestades, nuvens densas e o sol por trás das colinas.

Em ‘Fogo’, quando o EP se encerra, a respiração que tínhamos no começo se intensifica. A canção termina o álbum em uma batida mais acelerada, com notas mais intensas e uma bateria mais presente. É um blues grave, pesado e marítimo. É o tom de um navegante que, em sua missão, descobre que após as marcas das tempestades em sua embarcação, a viagem precisa continuar, a missão não pode ser abandonada. Até o porto, até o lar.


OS ARRAIS – AS PAISAGENS CONHECIDAS

[rating=5]

Já disponível nas plataformas digitais (iTunes, Spotify, Rdio)



nuvemO catavento* é parceiro da Conferência Nuvem 2015, que traz a João Pessoa, pela primeira vez, Os Arrais. Faremos uma cobertura completa e estaremos presente com um stand durante toda a programação do evento.

Adquira ingressos para os shows da Conferência Nuvem 2015 através do site: http://www.conferencianuvem.com.br/


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