O hype gerado em cima da série envolvendo a heroína da Marvel foi grande: trailers, teasers, banners, etc. Não era para menos, a Marvel tem histórico de sucesso nos cinemas e quando resolveu produzir sua primeira série na Netflix – Demolidor – agradou bastante.

Jessica Jones veio com uma missão árdua: achar um lugar ao sol, fora da sombra de seu predecessor. Então ela chegou e mostrou que tem voz própria, e talvez de uma importância ainda não medida por completo.

Roteiro, ritmo e afins

Falar que esses são os elementos menos marcantes da série é algo arriscado, mas não deixam de ser verdade. Longe de serem ruins ou fracos, elenco, roteiro, fotografia, e todos os tecnicismos que seguem cumprem seu papel de forma satisfatória.

4594045-tumblr_np3mmurzit1qab0apo1_1280O ritmo da produção é vacilante, horas empolga, outros momentos se arrasta. Por vezes a série ensaia um clima de investigação noir, com narração em offtakes que homenageiam os filmes de detetive, mas é comum a série não manter o tom mais durão e geralmente as investigações ficam em um clima mais C.S.I.

As atuações se sustentam bem mas, muito embora Kilgrave seja um excelente vilão, a falta de uma atuação marcante como a de Vincent D’Onofrio em Demolidor fica evidente. Krysten Ritter, a Jessica, já mostrou que é capaz de levar papéis dramáticos através de sua participação em Breaking Bad; porém, fica a impressão de que seu potencial ainda não foi explorado ao máximo – quem sabe na segunda temporada.

Um soco surpresa no machismo

Já faz um tempo que a Marvel sofreu algumas críticas pelo fato de transformar um de seus heróis, Thor, em uma heroína. Sendo uma deusa asgardiana como é, Thor respondeu nos quadrinhos com o toque nada suave de seu martelo Mjolnir.

Jessica Jones, por sua vez, não busca heroísmo e deixa isso claro em seu discurso. Pragmática (mas com um toque idealista), discreta (mas quebrando algumas paredes) e com cara de poucos amigos (mas dona de um coração mole), Jones empresta seu estilo à série como um todo e presenciamos algo interessante.

kilgrave-jessica-sinbin-e1448237774565“Peraí…todas as personagens dessa série são mulheres e homens são apenas vilões ou colírio visual. Oh! Então é assim que elas se sentem…” – Era mais ou menos assim que um tweet aleatório ironizava nas redes.

Demora um pouco pra o espectador perceber que a protagonista é mulher, assim como a principal coadjuvante e praticamente todos os personagens aprofundados na série são do sexo feminino. E quando a ficha cai a reação não é de desconforto ou “forçação de barra”, na verdade não existe reação alguma e é isso que merece atenção.

O que Jessica Jones mostra é que não há diferença entre uma série protagonizada por homens ou por mulheres; e faz isso de maneira tão simples (até porque não há o que complicar) que, provavelmente, até mesmo machistas declarados devem ter acompanhado todos os episódios e nem ter se dado conta disso.

E ainda considerando que tudo isso vem de dentro do “universo nerd” (historicamente machista – basta olhar os uniformes dos super heróis), torna Jessica Jones ainda mais super.

Calma, ainda tem mais!

jessica-jones-poster-reviews

A série poderia versar sobre um vilão qualquer e uma ameaça qualquer que, pelo que já foi exposto, já mereceria o destaque, mas ela vai além e deixa claro: Jessica vai além da ficção.

O vilão, Kilgrave, possui um poder nefasto: controlar a mente das pessoas e fazê-las obedecer qualquer comando que ele lhes dê. A vítima não perde a consciência, mas ao mesmo tempo é incapaz de controlar o impulso de obedecê-lo.

É partindo dessa alusão que a série aborda a temática dos relacionamentos abusivos e violência psicológica. Kilgrave possui uma verdadeira obsessão por Jessica, ele a enxerga como propriedade e faz de tudo para mantê-la sob seu domínio.

O poder sobrenatural do vilão é uma maneira didática para explicar que as vítimas de um relacionamento abusivo muitas vezes encontram-se em uma prisão mental, necessitando de ajuda.

“Se tá com ele é porque gosta”, “Se submete a isso porque quer”, são frases que ilustram um tipo de pensamento que a série ajuda a dar mais esclarecimento. Mostrando para o telespectador, de maneira figurada, que não se deve impor ainda mais culpa sobre quem está vivendo alguma situação do tipo.

Jessica Jones – a personagem – e Jessica Jones – a série -, muito embora não tenham essa pretensão, já são super.


  • Share this on WhatsApp
  • Pin this page0
  • 24
Assine nossa newsletter. É grátis!

Assine nossa newsletter.
É grátis!

Inscreva-se em nossa newsletter e receba, semanalmente, doses de inspiração do catavento*

Deu tudo certo =) Obrigado por assinar nossa newsletter!

Simple Share Buttons
friend links: silicone bracelets rubber bracelets cheap