[dropcap1]S[/dropcap1]e a canção é a expressão máxima da relação humana com a música através dos últimos séculos, não seria diferente que ela estivesse presente na igreja. Não foi demonizada, ainda que subgêneros musicais ligados à ela tenham passado pelo martírio. Por definição, canção é a composição musical feita para uma voz cantar uma letra com melodia, geralmente acompanhada por instrumentos. A gente também chama isso de “música”, mas é sempre importante colocar o ponto no i – música é o todo, canção é uma parte.

À serviço da Igreja, três nomes da música independente cristã nacional, decidiram se unir para impulsionar suas canções. Na fogueira do novo acampamento Velhas Verdades Discos estão Diego Marins, Eduardo Mano e Rafael Porto – estes dois, não por coincidência, estão presentes em nosso recente artigo sobre o folk cristão brasileiro. E não há coincidência por um motivo simples: após a publicação do texto a gente bateu um papo e o *catavento descobriu que tinha coisa nova vindo por aí. Lançamos o projeto com exclusividade, além de duas novas canções de Porto e Marins.

Bagagem

– Meu papel como músico e ministro é fazer com que a Verdade de Deus resplandeça, e que as melodias e harmonias que criamos sirvam às letras – diz Eduardo Mano quando joga a mochila ao lado da barraca e senta perto da fogueira.

O acampamento vai se montando.

Velhas Verdades Discos (VVD) é um selo, um coletivo. Os três amigos conversam há meses e se reuniram com propósito definido: suas canções existem para entregar a igreja novas melodias. A demanda salmódica congregacional é grande e quando a atenção às novidades exige um fluxo de mercado, a tendência é padecer nos processos agressivos do capital. Grandes canções passam despercebidas, construções heréticas também – eis o problema. Na melodia pop do mundo gospel, sobra pouco espaço para antigas verdades.

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Eduardo Mano em busca da canção congregacional (foto: Evandro Sudré)

[quote_center]“Quero falar das velhas verdades, pois o novo, às vezes, soa estranho demais. Quero ouvir as verdades eternas, boas novas que não perdem o frescor” – Eduardo Mano na canção “Verdades Eternas”.[/quote_center]

A declaração de serviço poderia sair da boca de qualquer artista que queira mostrar seu trabalho, claro. A demagogia é artifício, mas não é o caso do VVD. A radicalidade do processo demonstra o fluxo diferenciado: é mote do selo Velhas Verdades Discos que todo material produzido será distribuído gratuitamente na rede.

Ciente do peso da amplitude da proposta, o capixaba Rafael Porto não nega alguma ansiedade:

– É uma responsabilidade boa, um temor que impulsiona, que aumenta a fé e te faz querer lutar mais pelo Reino.

Rafael é jornalista e hoje investe os tempos livres em sua produção musical. Antes, era vocalista da Alforria – banda que deixou gostinho-de-quero-mais na época em que o movimento “hope rock” (puxado e batizado pelo Palavrantiga) estava tomando forma. Os singles “Carpinteiro” e “Como Sempre Sonhei” trazem, bem marcados, seu violão folk e a voz grave de ex-repórter da CBN em Vitória.

Hoje, com exclusividade, você confere seu novo vídeo da canção “Eternamente Seu”:

Porto conta com empolgação que o convite para o projeto partiu de Eduardo, amigo residente no estado vizinho. “Velhas Verdades [de Eduardo Mano] sempre foi um disco que falou muito ao meu coração, sempre utilizei seus excertos (ou toda a obra) para argumentar sobre o que considerava música cristã na mais pura essência”, enfatiza. O capixaba prepara para o ano que vem, seu primeiro EP completo, contando com os singles já divulgados e material inédito.

Gravetos e fósforos

Eduardo Mano começou no clima de reuniões para a canção com seu primeiro álbum, o “Canções Para Pequenos Grupos”. O trabalho, caseiro e independente, foi um marco importante para influenciar artistas a pensar a divulgação do trabalho online. Hoje, são 4 álbuns, 5 mil fãs no Facebook e a expectativa por novos trabalhos. “Estamos ensaiando para um novo trabalho autoral, que deve sair em meados do ano que vem”, comenta o carioca. No clima de lançamentos do selo, Mano ainda revela que está preparando mais um disco a ser produzido em casa. Desta vez, de hinos cristãos e gravado com a esposa Eline.

Relembre “Verdades Eternas”, canção marcante do disco Velhas Verdades:

Apaixonado pelo tradicional ministério de louvor, Mano está sempre presente em diferentes conferências e eventos eclesiásticos pelo Brasil. Viaja com seu violão e não tem problemas em se unir a bandas improvisadas para o momento. Pra ele, o que prevalece é o desejo de cantar com o claro objetivo de louvar a Deus:

– A Igreja precisa de mais músicas que intencionalmente falam a respeito de Deus, sua glória e domínio sobre tudo, inclusive a cultura. Que fale das boas novas de Cristo e de Seu Reino.

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O jornalista Rafael Porto investe em singles e vídeos do seu trabalho como compositor (foto: divulgação/Estúdio Vitrola)

Marshmellows

Diego Marins não hesitou o convite para acampar. Baterista no trio instrumental Zoe e vocalista na banda Interlúdio, Marins sentou à fogueira do Velhas Verdades, puxou o violão e começou uma canção intimista que lembra Jon Foreman e Bon Iver. Também carioca, é acusado pelo amigo Mano de não ter tempo para se encontrar pessoalmente. O acampamento parece ajudar.

Marins lança hoje, com exclusividade no *catavento, seu primeiro single solo “O que se vê (um prenúncio)”:

O single acima faz parte do primeiro álbum, chamado Confessional. O disco faz parte da primeira safra de lançamentos do selo Velhas Verdades Discos. Diego chega com o pacote de marshmellows para animar o acampamento, sem esquecer o vigoroso som do violão de aço.

– O VVD é a possibilidade de amplificar a voz da nossa fé, fazer arte em prol do Reino de maneira conjunta, com bons amigos – comenta Marins, lembrando que não há novidade numa empreitada de verdades eternas.

[quote_center]”Tudo o que se pode ver
Nos cerca com tua glória
e nos leva a te enxergar
Flores, campos e quintais
Despertam todo dia
e vêm tua graça anunciar”
Diego Marins em seu novo single.[/quote_center]

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Diego Marins lança single pelo selo Velhas Verdades Discos (foto: Max Santos)




O projeto nasce, oficialmente, neste dia 20 de novembro de 2013. Para 2014 fica a expectativa de novos discos que servem a igrejas pequenas, médias, grandes – espaços onde gente se reúne pra tentar se entender, entender o outro, conhecer Deus. Cantando Velhas Verdades, na tranquilidade de um acampamento ao redor da fogueira.

Conheça o coletivo Velhas Verdades Discos:
– Site
– Fan Page