Já faz tempo que eu cansei de filmes românticos. Ao menos daqueles que se propõem como tal. Tipo aqueles que já exalam perfume de baunilha desde o trailer. É claro que o formato nunca vai deixar de existir, ainda que ganhe novas tentativas de se reformular a cada temporada. As pipocas precisam continuar sendo vendidas, afinal.

Acontece que eu continuo gostando de assistir boas histórias sobre relacionamentos. E assim como as comédias românticas vão sempre existir, permanecem firmes os storytellers que querem falar de um dos assuntos mais essenciais à existência humana.

Pensando que o Dia dos Namorados pode ser uma época para também se inspirar, separei essa lista de filmes preferidos sobre o assunto. Filmes que me inspiraram sobre relacionamentos de uma forma diferente – para além da pipoca e do cheirinho de baunilha. São 4 obras e uma trilogia, então você chegou nesse post e acabou ganhando mais 2 filmes de presente.


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1. Apenas Uma Vez

Uma obra independente, crua e cheia de melancolia. Não combina nada com romances românticos, mas conta a história de duas pessoas que se conhecem e vivem essa descoberta através da música. Vencedor do Oscar de melhor canção original em 2008, “Apenas uma Vez” revelou ao mundo Glen Hansard e Marketa Iglová e suas canções embalam não apenas os momentos doces de uma relação, mas também o lado trabalhoso.

Preste atenção: a música e a conexão que ela proporciona é a riqueza principal de Apenas uma Vez. O encontro entre os dois protagonistas na loja de música retrata exatamente essa relação entre pessoas e canções.


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2. Trilogia do Sol

“Antes do Amanhecer”, “Antes do Pôr do Sol” e “Antes da Meia-Noite” não são filmes fáceis. Não apenas por suas escolhas estéticas, com longos planos-sequência de conversas banais sobre a vida, mas também porque retratam a complexidade de uma relação amorosa. O primeiro é o encontro, a descoberta, a paixão; o segundo é o aprofundamento a partir do conflito; o terceiro é a redescoberta a partir da resolução do conflito. Uma história de amor em três atos, em três filmes.

Preste atenção: os planos-sequência da trilogia são muito marcantes, especialmente pela tensão criada nos momentos de briga, quando não há cortes e se exige muita destreza dos atores. Repare na cena em que o casal conversa e briga dentro do carro, em “Antes do Pôr do Sol”: um gesto com a mão que parece evidenciar uma série de sentimentos que não estavam na cena e, de repente, saltam na tela e emocionam.


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3. Se Meu Apartamento Falasse

Uma das obras-primas de Billy Wilder é uma descoberta que ainda precisa ser feita no século XXI. O filme de 1960 é um retrato bem-humorado do trabalho e dos relacionamentos da época, mas também é uma crônica atemporal sobre tudo isso. Preste atenção em como Wilder utiliza recursos do teatro reimaginados no cinema para contar sua história com mais riqueza visual.

Preste atenção: no modo como o gênio Jack Lemon constrói o lado físico do seu personagem de forma caricaturada, mas sem fazer disso um elemento de distração, mas de construção de humor na cena. O personagem age dessa forma, com alguns gestos que o diferenciam de todo resto, até que ele encontra alguém com características similares.


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4. A Vila

A Vila não apenas é um filme de amor, como tem a minha cena romântica preferida. Os tais monstros são apenas um mcguffin: um recurso narrativo “pegadinha” que vai te desviar a atenção, parecendo o objetivo inicial do filme. Ao fim, a gente percebe que a grande jornada é a superação de qualquer barreira (incluindo a cegueira da protagonista) para alcançar o seu amor.

Preste atenção: M. Night Shyamalan mostra como que os recursos de câmera para contar histórias de terror, podem ser os mesmos para cenas que revelam sentimentos íntimos dos personagens. A tensão que surge com a trilha, com os olhares, com a montagem, evidencia esse paralelo metafórico na história.


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5. Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças

Se depois de tantos filmes sobre incertezas e menos pipoca e baunilha ainda não lhe convenceram, “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” é exatamente sobre isso. Especialmente sobre tristezas e tangerinas. E como é difícil não apenas enfrentar tudo isso, mas tentar esquecer. E na tentativa de automatizar processos humanos, redescobrir a beleza, até na parte trabalhosa.

Preste atenção: no modo como a mentalinguagem atravessa a narrativa ajudando a pensar a jornada do protagonista. Várias cenas parecem até mesmo questionar o modo como a própria história está sendo contada.

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