Dando continuidade à lista de dez discos que completam dez anos em 2016, separei nesta segunda parte os álbuns que toquei até cansar no velho e batido mp3 chinês comprado pelo Mercado Livre. Entre os discos no meu HD estão trabalhos consagrados e algumas novidades que despontavam no cenário alternativo cristão à época. Sem enrolação, vamos aos velhos lançamentos que merecem uma segunda chance na sua playlist:

shawnmcdonaldShawn McDonald, “Ripen”

Descoberto por acaso enquanto procurava por um álbum do badalado Jeremy Camp, Shawn McDonald se tornou um de meus artistas preferidos pela mistura equilibrada de apelo pop, refrões-chiclete e produção musical competente. Após “Simply Nothing”, álbum de 2004 que seguia fórmula bem simples, com a combinação violão, cello e voz, Shawn surpreendeu dois anos depois com as texturas e nuances de “Ripen”. Com baterias eletrônicas, sintetizadores, efeitos de voz, guitarras e uma pegada conceitual — algumas músicas conversam entre si, emendando arranjos e tonalidades –, o disco é a obra-prima da carreira do cantautor. Faixas como “My Salvation” pavimentaram seu alcance internacional, rendendo até mesmo shows no Brasil.


leighnashLeigh Nash, “Blue on Blue”

Mais conhecida pelo trabalho à frente do Sixpence None The Richer, Leigh Nash debutou na carreira solo com um disco nem tão pop quanto o mercado esperava, nem tão experimental como os projetos eletrônicos que viria a arriscar depois. Estão ali as melodias cativantes, as baladas bonitas, como em “Ocean Size Love”, e os arranjos de pop rock criativo que marcaram sua banda, tal qual “Along The Wall” — os backing vocals e a pulsação de baixo e bateria em uma canção que caminhava para a melancolia são uma ótima surpresa. A mais famosa das faixas do disco é “My Idea of Heaven”, que tem suas semelhanças com o estilo de Lilly Allen e Kate Nash, e ganhou até clipe oficial para emplacar nas paradas de sucesso norte-americanas.


matkearneyMat Kearney, “Nothing Left to Loose”

Eu tenho uma afeto especial por Nashville. Nunca pisei em território americano — cheguei perto, ficando 12 dias em Cuba –, mas sempre me impressiono com a quantidade e a qualidade dos artistas que brotam desta cidade (por sinal, vale a pena conhecer o coletivo Ten out of Tenn, formado por dez artistas oriundos do Tenessee. Gente do calibre de Andrew Belle, Katie Herzig e Matthew Perryman Jones).
Mat Kearney é talvez um dos casos mais bem sucedidos do alcance global e da aceitação que uma fórmula alternativa pode conquistar. Em seu segundo álbum de fato, mas o primeiro a receber atenção e projeção, Mat entrou pela primeira vez — e para não mais sair — na lista da Billboard com sua mistura bem água-com-açúcar de folk, rock e hip hop. Apareceu na trilha sonora de seriados consagrados, como 30 Rock, Grey’s Anatomy e Jericho, se fixando no panteão de favoritos da TV norte-americana. Seus álbuns seguintes ganharam destaque no iTunes e nas principais publicações americanas.

Não chega a ser um álbum que valha ouvir do início ao fim, mas tem bons momentos. Se o refrão de “Nothing Left to Loose” não te emocionar nas duas primeiras frases em falsete, procure um psicólogo. Sério.


copeland

Copeland, “Eat, Sleep, Repeat”

Por mais que o crítico tente se cercar de argumentos para analisar uma obra com imparcialidade, em alguns momentos, quando diante de algo que o toca, o que se busca é justificar o sentimento com explicações técnicas. Assim sou eu diante dos discos do Copeland. A banda tem linhas de piano que me agradam, grooves de bateria inusitados, guitarras discretas, além de Aaron Marsh, um vocalista lírico o bastante para arriscar melodias fora do padrão. Soa confortável: nem tão enjoativo, nem tão fácil quanto aquelas vozes de maior apelo comercial. “Eat, Sleep, Repeat” não é o melhor trabalho da discografia do Copeland, talvez seja o terceiro, atrás de “You Are My Sunshine” e “In Motion”, mas serve para exemplificar a coesão e a competência do grupo. Há muito de Radiohead em alguns arranjos, com detalhes que se sobrepõem aos poucos, sintetizadores criando ambiências mais tristes. Um manual de rock alternativo que bandas similares deveriam observar.


brookefraserBrooke Fraser, “Albertine”

Conheci o som da neozelandesa por acaso e sequer sabia que ela era integrante do conglomerado Hillsong™, autora de hits globais como “Hosanna”. E isso foi bom. Como tenho um preconceito histórico — e quase inexplicável — com o grupo que moldou e pasteurizou os ministérios de louvor ao redor do mundo nos últimos 15 anos, teria perdido uma excelente cantautora por pura antipatia. Sem o compromisso estético com o rock adolescente do United, Brooke Fraser dá lugar ao folk, com composições maduras, explorando novos melismas, ritmos, texturas, sem explosões de guitarra ou refrões em uníssono. Há espaço para pianos, violões, cordas; há espaço até mesmo para o silêncio. O álbum é um oásis pop de criatividade em meio ao universo de fórmulas repetidas do gospel internacional. Repare, por exemplo, na entrada da bateria de “Shadow Feet” ou no violão que abre “Albertine”. Duas preciosidades. Recomendo também o álbum seguinte da cantora, “Flags”, lançado em 2010.


P.s.: Depois de fechar a lista, fui dar uma olhada nos lançamentos de 2006 na internet e acabei reencontrando artistas que também ouvi à época, mas por lapso da memória deste que vos escreve, ficaram de fora do post. Ficam aqui como menções honrosas: “Sound of Melodies”, do Leeland; e “Speak”, do Jimmy Nedham.

E você, que discos acrescentaria à lista?

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