‘Quinzepor21’ fotografa moradores rurais e descobre histórias fascinantes

Em apenas 15 centímetros de base e 21 de largura Isabella B. Diniz consegue retratar felicidade, gratidão e mais uma gama de sentimentos nobres através do projeto Quinzepor21.

Como parte de seu trabalho de encerramento do curso de Comunicação em Mídias Digitais na Universidade Federal da Paraíba, Isabella partiu em direção à Zona Rural paraibana com o objetivo de retratar “o cotidiano de moradores da zona rural e mostrá-los como personagens principais da própria história.” Cada pessoa foi fotografada duas vezes: a primeira durante o seu dia-a-dia normal e a segunda após receber a fotografia pronta.

"Seu Zezinho"
“Seu Zezinho”

“Agradeço pelo bom e pelo ruim, por que a vida é assim: leva embora o que a gente tem, pra trazer o melhor do que a gente precisa.” – Seu Zezinho, na imagem acima, que compartilha juntamente com mais 14 pessoas a sabedoria adquirida pela vida.

Além de fotografar os moradores e presenteá-los com fotografias tamanho 15×21 (daí o nome), o projeto deu voz a pessoas anônimas e mostrou que “todas são protagonistas de uma vida boa, feliz e difícil assim como qualquer um, em qualquer lugar, com qualquer rosto”, como afirma Isabella.

A foto da Adriana é a preferida
A foto da Adriana é a preferida

Nildo prefere o silêncio do campo ao barulho da cidade
Nildo prefere o silêncio do campo ao barulho da cidade

Catavento* – Como a ideia surgiu?

Isabella – Eu queria viajar para o interior daqui [Paraíba] e não só fotografar, mas poder ouvir e conhecer pessoas com vida bem simples. Eu vivi parte da minha infância em um sítio, talvez esse seja um fator que tenha influenciado o tema. Fotografei pra tentar resgatar a minha lembrança da época, que é muito positiva.

Em busca de Adriana

Catavento* – Como foi a receptividade das pessoas à ideia?

Isabella – As pessoas foram muito receptivas. Eu tinha receio no começo por que ia pra um ambiente desconhecido. Mas me surpreendi com a forma curiosa e ao mesmo tempo tranquila com que me recebiam. Só uma pessoa se sentiu desconfortável e eu não fotografei. Mas todas as outras me receberam com muita simpatia.

Catavento* – Você tem alguma foto e/ou história favorita?

Isabella – Pra chegar na participante chamada Adriana, eu tive que atravessar andando um rio por que ela não estava em casa e tivemos que ir até a escola onde ela estudava. Eu tinha que fazer o retrato de 15 pessoas pra fechar a ideia do projeto e ela era última, não podia ficar de fora. Então pra chegar até ela foi bem difícil, quase não conseguimos ir até ela com medo de o carro não aguentar. Mas por muita sorte conseguimos e acabou sendo a foto que mais gostei.

Já em termos de história, todos os participantes tem um ponto em que eu admiro e gosto, mas a do ‘Seu Zezinho’ pra mim foi a mais inspiradora. Ele passou por muitas coisas difíceis (a morte de um filho e uma depressão forte após isso) , mas mantinha um olhar muito puro e era sábio, mesmo sem ter noção disso.

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Cada fotografia conta com um pequeno depoimento da pessoa retratada, o que amplia ainda mais janela aberta para se conhecer aquela vida.

O acesso à galeria completa é altamente recomendado, basta clicar aqui.

Abaixo você confere o teaser do projeto em vídeo: