O abraço na alma de “Oceans (Where Feet May Fail)”

oceans_04Não entendia direito porque não havia prestado atenção mais cedo a esta canção. Entendi por esses dias. Coisa de tempo certo, coisa de vontade divina. O sentido se estabelecia na atenção especial à letra, mas não apenas à sua beleza própria. Fato era que eu me identificava com a canção. “Oceans” viria me abraçar no tempo certo.

Seus compositores contam que “Oceans” passou pelo aconselhamento de um storyteller. Foi este toque que deu à canção uma narrativa. Mais precisamente a conhecida história de Pedro sendo chamado por Jesus para ir até o barco. Sem ponte, sem boia, sem nado. Ande até aqui, Pedro. “Oceans” chama esse convite de “o grande desconhecido onde meus pés podem falhar”. Ali se encontra a voz que te chama, ali a fé permanece, diz a composição.

O piano Rhodes tocas suas notas graves e as ondas seguem seu ritmo. “Oceans” nos sugere manter os olhos por sobre elas. Além das suas forças há esperança. Mas eu não conseguia acreditar. Veja, este não foi um ano fácil. Vi sofrimento bem de perto, em hospital, em cemitério. À distância de um abraço. Recebi e dei o ombro a amigos, irmãos, a meus pais na dor e não vi minha fé, não a encontrei. Pedro também não. Ele colocou os pés onde eles podem falhar.

“O discípulo ouviu de Cristo para não temer. Era ele mesmo, não um filme de terror”

Todo mundo gosta de brincar com essa história de andar sobre as águas, mas só em dias de sol. Em dias mais empolgados na piscina eu gosto de fazer uma caminhada ao estilo Matrix. Quem é mais leve e faz passos mais rápidos no ar consegue gerar uma ilusão de ótica melhor. Uma vez fiz um vídeo sobre isso com meus amigos. A gente não tinha o que fazer em um dia de sol. Brincar com isso é coisa séria. Vai que funciona. Pedro fez o teste.

oceans_02Do barco, com os outros, Pedro viu o fantasma. Era Cristo, mas para ele aquilo não tinha nada a ver com esperança, mas com filme de terror. A introdução era de filme de terror: eles estavam há algum tempo em meio a uma tempestade, em alto mar. “Sua graça abunda em águas profundas”. Era ali, bem ali. Pedro iria entender o convite do seu Messias.

O discípulo ouviu de Cristo para não temer. Era ele mesmo, não um filme de terror.

– Se é o Senhor, me faça ir até aí caminhando.
– Venha aqui ver.

Pedro não ouviu Jesus da praia ou de um bote no raso. Era um barco, no mar profundo. E começou a caminhar, mas duvidou. É o esperado. No oceano, na praia, no cemitério, no hospital, no trabalho. A gente duvida como Pedro. E os pés podem falhar, como os dele falharam. E aqui entendo o convite de “Oceans” sobre olhar por cima das ondas. Por cima delas a gente vê a Cristo nos chamando. Mas não adianta olhar de cima, de dentro de um farol. Ali é seguro demais. Ali não é o lugar onde a gente vai entender o que está acontecendo. Zona de conforto não é coisa de Jesus, entende?

No farol seus pés não vão vacilar.

oceans_03E aí a gente entende que quando “Oceans” fala sobre o incrível-sobrenatural-milagroso-maravilhoso fato de andar sobre as águas, ela não está falando sobre como isso é sensacional. No fim das contas, estamos falando mesmo sobre isso acontecer porque você saiu do lugar seguro. Porque Jesus não te chama para andar em segurança, com tudo arrumadinho, com poderes mágicos que te fazem andar por sobre as águas com tranquilidade.

Isso porque ele está ali, pra te segurar a mão. “Oceans” chama isso de “quando os mares se agitarem, minha alma vai descansar em seu abraço”. E neste caso, é assim que a gente volta ao barco; é assim que a tempestade se acalma. Conscientes de que continuamos no mar. “E minha fé se fará mais forte, na presença do meu Salvador”.

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