Vamos ensinar ortografia aos anjos. Se não aos anjos, a quem quer que seja que define nossos atributos lá no céu!

Veja, por exemplo, um erro comum: existem pessoas apáticas, chatas e apaixonantes.
Perceba que para cada um desses três tipo há uma compensação proporcional; então o apático pode ser um poço de inteligência, o chato um baluarte da beleza e o apaixonante, bem, já é apaixonante…então normalmente possui inteligência razoável e beleza mediana.

Voltemos agora à questão vocabular. Volta e meia alguém lá em cima troca as letras e quem era para sair como apaixonante, acaba por sair apaixonável, e aí tudo desanda.

Todo o restante de seu conjunto de atributos fora desenhado para dar suporte a uma pessoa apaixonante, e não apaixonável!
É apenas uma questão simples de (des)configuração.

Ora, quem é apaixonável…simplesmente se apaixona, o tempo inteiro.
Pequenas interações, desde que confeitadas com pingos de um sorriso doce, ou simplesmente um jeito suave de arrumar os cabelos, podem ser um transtorno.

O apaixonável é um eterno viciado. Não na beleza propriamente dita, (não tome o apaixonável por alguém raso), mas no brilho, em uma espécie de aura que só algumas mulheres possuem.

Talvez, ironicamente, o apaixonável consiga detectar justamente as pessoas apaixonantes apenas com o olhar.

Não é nada bonito, ao contrário, há toques de tragédia nisso tudo.
O apaixonável consegue perceber e é atraído a todo instante pelo menor vestígio do que era pra ele ser, mas não é: apaixonante.

É quem vibra e sente a música, mas é incapaz de reproduzi-la. É quem capta a essência de um quadro, mas sequer desenha um círculo. É a sina do apaixonável…captar e perceber trejeitos apaixonantes onde a maioria não consegue, mas não ser ele mesmo apaixonante.

Se você se enquadra na classe dos apaixonáveis e está convicto que isso é fruto de um erro ortográfico em um plano mais alto, junte-se a esta singela petição.

Curso de ortografia celeste, já!

Ou então uma capacitação, para ensinar a lidar com isso.