John Stott é reconhecido e reverenciado por muitos cristãos, sejam eles novos leitores ou já experientes nos caminhos da fé. Conhecido no mundo inteiro como teólogo, o escritor e evangelista que morreu em 2011, é autor de mais de quarenta livros, incluindo A Missão Cristã no Mundo Moderno, A Bíblia Toda Cristianismo Básico. Foi pastor emérito da All Souls Church, em Londres, e fundador do London Institute for Contemporary Christianity e indicado pela revista Time como uma das cem personalidades mais influentes do mundo.

Essa obra em particular traz um detalhe curioso. Em 1970 ela foi publicada pela primeira vez sob o título “But I say to you…” (“Mas Eu vos digo”). Entretanto, a edição original chamava-se “Christ the Controversialist” (Cristo, o controversista).

O título em português difere do original, mas não fica desconexo do conteúdo. A tônica da obra é analisar as discussões que Cristo tinha à época de seu ministério. Já nas primeiras páginas, Stott traz um capítulo intitulado “Um Pedido de Clareza”, onde ele discorre sobre o ódio da controvérsia:

“Talvez a melhor maneira de respaldar a afirmação de que a controvérsia é, às vezes, uma necessidade dolorosa seja lembrar que nosso próprio Senhor Jesus Cristo foi um controversista. Ele não tinha a “mente aberta” no sentido de que estava preparado para aceitar qualquer ponto de vista. Pelo contrário, como veremos nos capítulos seguintes deste livro, ele sempre se envolvia em discussões com os líderes religiosos de sua época – escribas, fariseus, herodianos e saduceus.”

Desse modo logo no início Stott deixa claro que sua intenção não é propagar Cristo como um fomentador de polêmicas desnecessárias, mas sim se debruçar nas controvérsias em que Ele se engajou. Uma parte dos ensinamentos de Jesus foi transmitida através de diálogos travados com aqueles que, não raro, tentavam desmoralizar o Rabi em suas próprias palavras.

controversiasstotA ideia era contextualizar tais discussões para o cenário em que a Igreja se encontrava na década de 70, porém é curioso notar como a obra transcendeu e permaneceu atual até hoje. Durante da leitura é comum se achar diante de reflexões que parecem ter sido tecidas em virtude dos eventos mais recentes de nossa sociedade.

O livro possui oito capítulos que vão de “Religião: natural ou sobrenatural”, passando por “Moralidade: exterior ou interior?” até “Ambição: a nossa glória ou a de Deus?”. Num primeiro olhar podem até soar genéricos (mais do mesmo – alguns diriam), mas o diferencial de Stott se dá pela coerência teológica e a capacidade de aplicação prática para os temas abordados:

Por exemplo, vejamos a sugestão de que jovens cristãos não devem ir a casas noturnas. Eu não estou querendo opinar se esta atividade em particular é certa ou errada. O que quero mostrar é que a Escritura não se pronuncia explicitamente sobre o assunto. Uma proibição como essa pertence, portanto, às “tradições dos anciãos evangélicos”, mas não faz parte da Palavra de Deus. Nenhum cristão pode escapar da responsabilidade de tentar pensar biblicamente e julgar com cuidado questões como essa.

Novamente lembrando que o referido texto foi escrito em meados da década de 1970, demonstrando o quão centrado Stott sempre foi nas Escrituras. As admoestações do teólogo assumem também caráter bastante ácido e de uma contemporaneidade que assusta:

Ao mesmo tempo, há outras [pessoas] cuja visão da Escritura é muito “elevada”. Elas a consideram como uma reverência quase supersticiosa. Ficam tão absortas nela que perdem de vista seu propósito: revelar-lhes Cristo. Por fim, tornam-se, na verdade, “bibliólatras” ou “adoradores da Bíblia”, agindo como se a Escritura, e não Cristo, fosse o objeto de sua devoção.

“As Controvérsias de Jesus” é livro pra ser lido com marca-texto e bloco de notas. É provocante, revigorante, bastante direto e claro – uma leitura que com certeza irá ser revisitada.



As Controvérsias de Jesus
Autor: John Stott
208 páginas;
Editora: Ultimato
Preço: R$ 45,40

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