60 milhões de refugiados no mundo: um panorama

Vinte e dois de janeiro de 2015. Três naufrágios no Mar Egeu, aquele que divide o norte da África, o Oriente Médio e o Sul da Europa (Grécia e Itália). Mais de 40 refugiados morrem e a maior parte deles são crianças.

Ao mesmo tempo, na Europa, na divisa entre França e Bélgica, 3 mil pessoas estão em campos abertos, passando frio debaixo de tendas cercadas pelo lodo das chuvas. A maior parte é formada por kurdos que têm a esperança de que a máfia de imigração venha busca-los para conseguir chegar a Inglaterra. Eles guardam milhares de euros em sacos plásticos para pagar o “serviço” e têm de ir em caminhões, escondidos em meio a cargas. Acreditam que poderão ultrapassar não apenas a fronteira, mas a xenofobia que parece dominar a União Europeia.

Na Alemanha, um dos países que tem tido posturas mais resistentes diante dos migrantes, um casal gay recebe 24 refugiados muçulmanos em sua casa. O fato de serem gays torna-se relevante aqui, diante da surpresa que revelaram ao jornal El País: “Nenhum deles nos atacou por sermos dois homens que compartilham uma cama”. O casal faz parte do grupo de alemães que se organizam online parece receber refugiados. Igrejas católicas fornecem abrigo a muçulmanos e dão a eles alguma possibilidade de esperança.

A Agência de Refugiados da ONU estima que existam quase 60 milhões de refugiados no mundo. O número, que é composto por diferentes grupos de pessoas em situações de deslocamento forçado, cresceu assustadoramente em 2015 e foi acompanhado por picos de mortes em vários meses. Em abril, por exemplo, foram quase 2 mil.

Barracas do campo de refugiados visitado no Curdistão Iraquiano. (Foto: Marco Gomes)

Barracas do campo de refugiados visitado no Curdistão Iraquiano. (Foto: Marco Gomes)

Todos fogem das guerras civis em seus países, especialmente causadas por grupos extremistas como o ISIS. A Síria, um dos países mais afetados pela situação, tem milhões de refugiados buscando um novo lar no mundo. É a nacionalidade mais presente entre os que tentam entrar na Europa. Países como os Estados Unidos apresentam uma postura hipócrita diante da situação: querem enviar ajuda “humanitária”, mas nem de longe receber sírios, por “medo” do terrorismo entrar em seu país.

Sem lar, estes cidadãos do mundo (não por escolha própria), buscam um refúgio. Países ricos da União Européia, que já tiveram tantos migrantes por todo o mundo, esquecem do seu passado e evitam agir como deveriam, por xenofobia mascarada de restrições políticas e econômicas.

Durante esta semana, o catavento* publicou postagens especiais sobre a crise dos refugiados, focando especialmente em um ponto: milhões de pessoas no mundo de hoje estão sendo obrigadas a deixar seus países graças a governos que violam leis de direitos humanos, guerras os impedem de se manter onde estão. Simplesmente não há saída. Sem rumo, buscam esperança em outros países e, inúmeras vezes, estão encontrando fronteiras fechadas.


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Talita Ribeiro em visita ao Oriente Médio (Foto: Marco Gomes)

Conhecemos a história de Talita Ribeiro, que após uma viagem de curiosidade ao Oriente Médio foi impactada e desenvolveu o projeto Turismo da Empatia. A pesquisadora Romina Cácia nos trouxe uma lista de livros infantis que revelam uma visão única sobre a situação. Romina também escreveu, assim como Talita, um texto sobre o sentido de lar em situações extremas como essa.

Por mais que o assunto tenha saído do foco dos grandes jornais no mundo, as notícias não param e os números não diminuem na mesma velocidade em que cresceram durante 2014-2015. A urgência de ações emergenciais permanecem: tanto para salvar quem está morrendo em travessias e campos de asilo provisório como para colaborar com a solução imediata das guerras, terrorismo e crises governamentais.

A página da Agência de Refugiados da ONU possui informações de como ajudar diretamente a situação.

 

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